O sonho de tornar Canedo uma vila surgiu no século passado, mais precisamente nos anos noventa, numa altura em que a freguesia atravessava o seu auge do crescimento e progresso. É importante realçar que Canedo até aos anos sessenta, não tinha mais do que uma feira, um Porto-Fluvial, “meia dúzia” de fábricas e um médico que prestava cuidados de saúde a sete freguesias, para não dizer que a maior parte das famílias ainda recorria às fontes para ir buscar água e à da luz candeia, pois não tinham água canalizada e nem sequer eletricidade.
É certo que após a década de sessenta, o desenvolvimento foi sendo gradual. Aos poucos, foi-se construindo o que hoje temos, equipamentos sociais, educativos, desportivos, etc., posto da GNR, vias de comunicação, entre outros investimentos. Salienta-se novamente que os anos oitenta e noventa foram os anos de ouro para Canedo, onde a freguesia deixou de ser um meio rural para abraçar a ideia de urbanismo e ficar a par das restantes freguesias do Concelho de Santa Maria da Feira.
Posto isto, e face a este desenvolvimento, o povo de Canedo merecia algum reconhecimento pelo seu trabalho em prol da terra que o acolhe e a então Junta de Freguesia presidida pelo Manuel de Jesus ( Coutinho) com o auxílio do deputado Manuel de Oliveira, começou a elaborar uma reivindicação à Assembleia da República para recuperar o velho sonho de elevar Canedo a vila, título que outrora tivera por Carta-Foral a 1 de Junho de 1212 mas perdido com o tempo. E, assim, foi levada a plenário a dita pretensão, esta viria a ser aprovada por unanimidade do hemiciclo a 4 de Junho de 1997.
Foram muitos aqueles que ajudaram a construir Canedo, a tornar a freguesia no que é hoje e a honrar o seu nome. Creio que para os homenagear era necessário um jornal inteiro, não uma página, mas é importante que não nos esqueçamos do que fomos, e da vontade e esforço que o povo de Canedo teve para se tornar naquilo que é.
Já fomos o povo valente que desbravava a terra com muita audácia, fazendo do pouco que se tinha o seu único meio de subsistência. Já fomos o povo que colocava em debandada uma feira ou um arraial quando o ambiente não era o melhor, pois, era a bravia dos Homens que com o trabalho braçal labutavam a terra e faziam mover os valboeiros nas correntes ardilosas do Rio Douro.
No entanto, são memórias que não podem cair no esquecimento e para os tempos que correm quer-se outra atitude, outras perspetivas, outro tipo encarar a freguesia. Devemos perspetivar um progresso assente em três pilares fundamentais: o fator económico; o fator social; e o fator político.
Todos os fatores têm como público-alvo a população canedense, pois, sou apologista da ideia de que o trabalho para as pessoas se reflete num trabalho para a terra. Abordando o primeiro pilar fundamental, é extremamente importante a fomentação de políticas de empregabilidade, com isto quero dizer que é ideal começar a perspetivar um forte investimento em infraestruturas para acolher empresas de todos os setores da economia.
O segundo pilar vem na sequência do primeiro gerar emprego por consequência leva a uma maior permanência das famílias na freguesia, pois gera maior conforto social e com isto perspetivar políticas de crescimento populacional e de incentivos à natalidade. Porém, o ser humano não vive somente de trabalho, mas também de tudo o que a comunidade onde está inserido lhe pode oferecer. Apostar em equipamentos educativos, equipamentos sociais, culturais e desportivos, onde podemos também inserir os parques de lazer e as atividades ao ar livre, são políticas que pouco a pouco foram sendo pensadas, mas que ainda necessitam que um pouco mais de arrojo. Não deixo de salientar o associativismo que é fundamental para uma freguesia que está em progresso.
No último aspeto, o fator político, temos de ter em mente que a política deve servir as pessoas, não as pessoas servirem a política, por isso mesmo cada vez mais a união entre todos os intervenientes na ação de mudança deve estar em cima da mesa, pois, conflitos políticos geram impactos negativos nos anteriores fatores.
Para concluir, deixo aos leitores deste Jornal que é importante compreender que nada se faz ou nada se concretiza sem força de vontade e sem o povo Canedense, e se Canedo é vila há 23 anos, não nos contentemos somente com o já conquistado, mas lutar para conquistar o que ainda não se conquistou.